a quem responde um CEO

Chegar ao nível C de uma corporação, imagino, parece ser o sonho máximo de quem escolheu uma carreira executiva. Apesar de, nos últimos tempos, ter acompanhado histórias de um monte de gente que rompeu com este modelo de uma vez por todas. Uns já consideravam que tinham dinheiro e sacrifícios suficientes e foram empreender. Outros nem tinham dinheiro, mas a parte do sacrifício era tão grande que decidiram empreender de outro jeito e investir em qualidade de vida. No caso dos CEOs a pressão parece ser a maior de todas.

Eles são os chiefs – precisam tomar decisões – e executives – precisam executar, ou seja, fazer a coisa toda funcionar, na prática.

Fazer tudo isto nos tempos turbulentos que estamos vivendo não é pouca coisa.

Estava lendo um artigo do professor da Harvard Business School, Joseph Badaracco, que lançou em 2014 um livro sobre bons líderes, chamado “A Boa Luta” aqui no Brasil. O título já me chamou atenção. Quais serão as boas lutas de hoje em dia, né? Por quais delas escolhemos lutar? O professor fala que isto é, cada vez mais, algo combinado caso a caso. Se antes o trabalho do CEO era criar valor para os acionistas em primeiríssimo lugar e, depois responder por vários stakeholders, agora as coisas se complexificaram um pouco mais. Os objetivos podem ser tão distintos quanto aumentar o lucro no curto prazo, desenvolver um país, certificar uma cadeia, se internacionalizar, atuar a favor dos direitos humanos. Soma-se a isto a imprevisibilidade da economia que impede qualquer plano de longo prazo.

O que mais me chamou a atenção foi como estes gestores devem responder de forma cada vez mais pessoal a pergunta “Por que eu escolhi esta vida?”.

Se antes escolher uma carreira executiva era ter um plano de carreira mais ou menos estável e passar 30 anos no mesmo lugar, hoje o cenário mudou completamente. Mesmo que você tome muitas decisões corretas, sua empresa pode, simplesmente, desaparecer. Aí, CEOs passam a ter que responder a questões mais profundas como: esta é a equipe que quero ter? Estas são as metas que quero cumprir? Este é o propósito desta empresa? Este é o significado do meu trabalho? E somam-se a essas perguntas todas as que a Economia Circular, o Capitalismo Consciente e O Sistema B, só para trazer alguns movimentos super relevantes, estão trazendo. Como gerar valor para toda a cadeia, como ter um propósito social e/ou ambiental, como equilibrar metas de curto prazo com desafios de longo prazo? As respostas devem ser renovadas a cada dia e precisam valer à pena. Para as pessoas e para as instituições que elas representam.