experimentando matérias-primas

Experimentando matérias-primas e ampliando os sentidos. Assim, surgiu a Tátil.

O papelão ondulado.

Depois da primeira experiência com embalagens naturais em 1989, existia um desejo em curso: colocar em prática todo o aprendizado cultivado com a observação da natureza. Havia um cheiro de novo negócio no ar. Na época, estudante da faculdade de Desenho Industrial, Fred Gelli entendia que a maior parte do curso explorava bastante a dimensão da visão, enquanto os outros sentidos acabavam ficando de lado.

O nome Tátil nasceu daí. Dessa vontade de ampliar a perspectiva dos sentidos até onde fosse possível. Junto com ele, surgiu o primeiro material a ser trabalhado: a escolha do papelão ondulado.
Matéria-prima dos primeiros produtos da empresa – pastas, blocos, cadernos, portfolios – até aquele momento, o papelão ondulado era utilizado para embalagem de produtos frágeis em mudanças. E apenas isso.

Com as ondas aparentes, o papelão ondulado tinha personalidade própria. Pedia pra ser redondo, e flertava com o encaixe, não com a cola. Foi o material ideal, que possibilitou conceber uma boa parte dos princípios criativos que a Tátil carrega até hoje. Um dos principais: procurar entender o “desejo de forma” que os materiais trazem consigo e buscar não contrariar essa vocação, pois eles simplesmente reagem. Não seria exagero dizer que foi a partir dessa experiência concreta com o papelão ondulado que a Tátil nasceu.

 

Os press kits para as gravadoras

As gravadoras já foram os principais clientes da Tátil. A demanda era grande e diversa, envolvia a idealização e a confecção de projetos gráficos de CDs a press kits. Os briefings eram incríveis: cada vez, era preciso pensar em maneiras de despertar a atenção dos jornalistas e formadores de opinião para lançar novos trabalhos de artistas, como Marisa Monte, Milton Nascimento, Chico Buarque e Caetano Veloso. Houve uma época interessante e diversa em que geramos ideias para criar um bloquinho de sedas para o Planet Hemp e, ao mesmo tempo, fazer o lançamento do CD do Papa.

Entre as embalagens de maior destaque, criamos a famosa “Lata” do Paralamas do Sucesso, um trabalho realizado em parceria com o Gringo Cardia. Fizemos também o oratório do Milton Nascimento: uma caixa de papelão inspirada na forma e na decoração dos oratórios do barroco mineiro.

 

O Polibutton

O ano era 1989, e Fernando Gabeira concorria à Presidência da República. O briefing: desenvolver o botton da campanha do então candidato. Entendemos que a causa ecológica não deveria ser vivida e expressada da mesma forma por todo mundo, e que aquela era uma ocasião especialmente simbólica. Ao invés de um pin normal, criamos uma caixinha de papelão micro-ondulado, contendo carrapichos. O principal: quando se abraçava alguém, uma parte do carrapicho ia parar na outra pessoa. Espalhava-se a ideia e, ao mesmo tempo, a própria semente.

Por conta da dificuldade de se colher carrapichos, a ideia não foi produzida, mas rendeu ótimos frutos: em 1992, fomos contratados pela Body Shop para passar um mês em Londres desenhando embalagens e soluções de ponto de venda para a Anita Robbin, com quem a equipe colheu importantes aprendizados.