novas narrativas para a Marca Brasil

No mês passado, em minha palestra, no Museu do Amanhã, que tratava sobre as possíveis novas narrativas para a “Marca Brasil”, experimentei construir minha abordagem considerando as centenas de opiniões que recebi de pessoas a partir de um desafio que postei no meu Facebook. A experiência foi muito especial! Recebi 148 comentários dos quais mais de 120 eram positivos em alguma medida, o que me surpreendeu! Visões otimistas e aprofundadas chegaram de amigos diversos apresentando nuances e caminhos inteligentes para virarmos esse jogo.

Eu me ative também aos comentários dos mais pessimistas, pois tudo que não podemos ser nesse momento é “Pollyana”. Vivemos em um momento de crise profunda e, por isso mesmo, de grande oportunidade para realinharmos nossos valores e nossa visão sobre o que de fato nos faz únicos.

Nossos principais talentos como povo. Nossas fortalezas que nos definem como nação para que, a partir daí, possamos nos reinventar com a força que nossa “Marca” merece ter no mundo!

Pra começar, o esforço é individual como cidadãos. Precisamos fiscalizar nossas próprias atitudes no dia a dia, pois o mal maior que nos aflige − a corrupção− só deixará de comprometer nosso futuro à medida que a eliminemos dos nossos pequenos gestos, que muitos não entendem como tal, como andar no acostamento na volta de um feriadão, não se indignar com um taxista quando nos pergunta se queremos um recibo com valor maior de uma corrida ou subornar um guarda para escapar de uma multa.

A partir daí, temos que contagiar nossas relações com amigos, familiares, parceiros de trabalho, contribuindo na criação de uma consciência coletiva que nos permita VOTAR bem nas próximas eleições, pois só assim poderemos fazer a real diferença.

Temos que dar sustentação popular ao esforço gigantesco que está sendo feito no Brasil pra acabar com o lado podre da política.

Temos que participar politicamente como nunca. Encorajar pessoas competentes e com propósito a ocuparem espaços no Legislativo!

Se esse dever de casa for bem feito, estaremos abrindo espaço real para que nossas qualidades, que são muitas, apareçam para o mundo!

Temos que ressignificar o “jeitinho brasileiro”, entendendo que “jogo de cintura” vira FLEXIBILIDADE; “improviso” vira capacidade de fazer “MAIS COM MENOS”; e nosso “calor humano” é “PROXIMIDADE”. Esses são valores que o mundo todo precisa e valoriza e que qualquer marca quer ter. Poucas conseguem! Dividi um pouco nossa experiência com marcas, como EMBRAER, que ocupa o posto de terceiro maior fabricante de aviões no mundo, a partir da exploração desses diferenciais!

Nas conversas com os outros palestrantes e amigos, como Tatiana Maia Lins, Yakoff Sarkovas e Ricardo Voltolini, a SUSTENTABILIDADE aparece como uma evidente fortaleza em nosso posicionamento a partir de toda a nossa rica biodiversidade, abrindo espaço para o turismo, para as ciências naturais e inovação no caminho do desenvolvimento sustentável. Nossa POTÊNCIA CRIATIVA pode funcionar como motor da indústria “soft power”, que só cresce de importância no mundo. Música, games, televisão, animação e a produção audiovisual de um modo geral, entre outras tantas áreas em que podemos nos destacar no cenário global.

Não será fácil, nem de hoje pra amanhã, mas tenho certeza que podemos fazer desde que acreditemos no nosso “taco”, pois sem autoconfiança ninguém vai a lugar nenhum!

Vamos sair dessa montanha russa emocional que faz com que oscilemos entre a onipotência dos momentos de euforia à impotência dos momentos de crise, pois só assim poderemos desfrutar, de fato, da nossa real POTÊNCIA!

E a propósito: não aguento mais meus amigos dizendo que estão pensando em se mudar para Portugal!