cheiro de pipoca

Texto original publicado em 2002

Você dobra uma esquina. São mais ou menos 17h e tá batendo aquela fominha. De repente, seu nariz é invadido pelo inconfundível cheirinho de pipoca doce. Você não tem tempo de pensar. A decisão já foi tomada. Acalmar os seus sentidos custa apenas R$1,00 e você acaba cedendo à tentação.

“Por favor, me dá uma pelo amor de Deus!”

Pronto. Você comprou. O marketing funcionou. Aquele senhor com avental, boné branco e cara de vovô se revela uma fera do marketing. Você caiu que nem um patinho. Não pôde resistir.

Pior é quando o seu filho, depois de muito insistir, consegue que você compre aquele bendito algodão doce cor de rosa que é puro açúcar. Depois de titubear um pouco, pra não pegar mal, você tira um pedacinho com a mão e curte aquela textura de algodão desintegrando em sua boca.

Ou ainda, quando você está na praia e ouve de longe o som do taca-taca (aquele genial pedaço de madeira com arame encaixado) anunciando a passagem do vendedor que, em uma caixa de papelão, traz pirulitos vermelhos em forma de chupetinhas e os biscoitinhos de taboca que você compra três por R$1,00.

Tá. Mas duvido que você já tenha parado pra pensar no que o cheirinho da pipoca, a textura do algodão doce ou o barulho do taca-taca têm a ver com o interior dos restaurantes da rede Rain Forest, que se espalharam nos EUA ao longo dos últimos 10 anos.

Todos eles são exemplos do Marketing da Experiência: uma novidade de centenas de anos que surge no cenário do marketing e da comunicação como a melhor estratégia para atrair, conquistar e fidelizar os consumidores. O que as pessoas querem quando entram em um dos restaurantes Rain Forest não é apenas mais um sanduíche gorduroso. O que elas procuram é o envolvimento em uma atmosfera lúdica onde o barulho de água se mistura a uma iluminação planejada e a cheiros de mata tropical, proporcionando uma experiência memorável.

Estamos falando de um valor que vem como o ingrediente mágico que torna produtos e marcas mais fortes, diferenciados e competitivos.

Os produtos são acessórios, os serviços são cenários. Tudo cuidadosamente planejado para vender o que realmente os consumidores modernos querem comprar: sensações.

É exatamente aí, na materialização dessas experiências com produtos e serviços, que entra o design, como uma importante ferramenta de comunicação.