2 julho 2015 | 11:18

Design de Ideias

Por Tátil

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Diante do desafio criativo que temos pela frente, teremos de encontrar as melhores ideias que vão ajudar a nos reinventar.

O design tem um papel importantíssimo nesse desafio. Ele vai além da forma  fragmentada hoje ensinada em várias escolas e também abordada em publicações: design de produtos, design gráfico, design de moda, design de serviços, design de experiências etc.

O Design de Ideias, acima de tudo, representa a nossa capacidade de integração, as pontes que precisam ser criadas entre as várias áreas do conhecimento humano. De que adianta um engenheiro de trânsito resolver sozinho o problema de trânsito no planeta? Certamente, para dar conta de tudo, times multidisciplinares teriam que ser montados por ser um problema que envolve comportamentos e hábitos, como psicólogos, antropólogos, designers têm uma vocação para ser essa ponte.

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Não conhecer profundamente um assunto pode ter uma vantagem competitiva da nossa profissão. Nesse momento, o nosso trabalho é conhecer quem conhece, é estabelecer links, criar conexões. Nós podemos muitas vezes fazer perguntas ingênuas, perguntas que as crianças fazem, provocar os especialistas e abrir espaço para a inovação – por isso, nossa profissão é tão ligada a esse termo, a esse universo da inovação.

O design thinking representa exatamente esse jeito que a gente pensa, olha as coisas de cima, que consegue fazer leituras mais holísticas, mais abertas, entendendo a interdependência entre os vários aspectos que influenciam a humanidade. Por isso, o design thinking é tão ligado à inovação e aos negócios.

Deixamos de estar na ponta simplesmente dando forma às coisas, a partir de um desafio de negócios. Passamos a operar no início dessa cadeia, ajudando a identificar as oportunidades, entendendo o comportamento das pessoas, de uma maneira mais profunda, e desenhando novos negócios a partir de novas experiências. A experiência é o centro dessa história inteira.

Temos um compromisso com esse encadeamento de sensações que representa as experiências. Através de experiências poderosas podemos garantir que as pessoas guardem na memória a presença de marcas, ideias e interesse por produtos. E a disputa é enorme, então, quanto mais bem desenhada essa experiência, maior a chance dela ser guardada num lugar especial na nossa memória, e quem sabe no nosso coração.

Além de abordar essa perspectiva, precisamos voltar aos princípios básicos do design, relacionados a tudo isso e que nos coloca no lugar próximo ao do artesão. Tem a ver com a nossa capacidade de brincar com  materiais, de ouvir o desejo dos materiais por formas específicas. Sem essa capacidade, os materiais reagem contrariados com a forma que nós tentamos impor a eles.

O design nasce no contexto da Revolução Industrial, fazendo a ponte entre a indústria e os artesãos que não tinham conexão com a produção em série. A princípio, a gente tentou organizar a abordagem do artesão para que seja transformada em produtos que serão produzidos em grande escala. Nessa hora, iniciamos um trabalho de acúmulo de soluções que garantem que objetos entrem no rol de objetos especiais, capazes de ativar nossa memória e estabelecer essas tais conexões emocionais. A emoção é a cola mais poderosa para garantir um lugar especial na nossa memória.

O design passou também pela capacidade de ser o diferencial competitivo. De virar o jogo e ser usado como base na construção entre as pessoas e a marca. O exemplo da Hyundai  na Coreia do Sul é contundente. Em 2000, o seu carro mais moderno era a Besta , um carro básico, sem grandes inovações. O Optimus já era um carro com partes “inspiradas” em modelos de marcas renomadas. Quinze anos depois, a Hyundai é líder em vários mercados, principalmente no mercado emergente, brigando de igual para igual com Mercedes e BMW.

Essa estratégia foi fundamentada em inteligência de design – pode se dizer “over design” – mas o fato é que o jogo virou e a Mercedes muitas vezes hoje é quem “se inspira” nos traços, ângulos e vincos propostos pela Hyundai (e admirados pelo seu público).

Então, no fundo, o nosso trabalho é garantir que as melhores ideias possam ir para o mundo, gerando valor para as pessoas. Colocar a nossa capacidade criativa a serviço da construção de um futuro desejável me parece um conjunto de briefing mais interessante. Como podemos ajudar a construir uma nova lógica da nossa presença no planeta, com a capacidade de redução do impacto ambiental e aumento do impacto sensorial, do prazer, da experiência especial memorável? Como a gente concilia isso tudo?

É um desafio gigantesco que temos pela frente e a gente tem como contribuir.

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