Branding

“Talvez parte do mal-estar que começamos a sentir venha exatamente daí. Entramos numa espécie de abstinência relacional. Investimos cada vez menos em rituais que operam pela sensibilidade, não pela eficiência. Buscamos os atalhos das inspirações instantâneas, das respostas imediatas, pois não temos mais tempo de buscá-las onde de fato estão.

Por isso, talvez essa “renascença do craft”, como alguns começam a denominar o que está emergindo, não seja apenas mais uma tendência. Talvez seja um sintoma real. É o corpo pedindo presença. É a cultura tentando recuperar variáveis essenciais do seu próprio processo evolutivo.”

“Durante séculos, na dúvida, repetimos o mantra de Santo Agostinho como se fosse uma lei universal: ver para crer, com a visão ocupando o posto do sentido que nos mostrava a verdade. O olho, esse equipamento absolutamente genial, funcionando como um portal que nos dá acesso à realidade, com suas cores, nuances, formas e fatos.

Só que parece que esse tempo acabou.

E, talvez, de fato nunca tenha existido.”

“Se existe uma premissa básica no branding, é que o valor de marca não nasce do que ela diz ser, mas do que ela entrega de forma consistente, coerente e duradoura. Marca é percepção.
Cidades são marcas vivas, mutáveis, orgânicas, simbólicas e sujeitas aos ciclos reputacionais. O Rio de Janeiro talvez seja hoje o exemplo mais emblemático de como o capital simbólico, o desejo global e a reputação objetiva podem estar em risco extremo quando a percepção de valor fica comprometida.”

“Como já dizia Gilberto Gil, “vida é confusão”. Descobri isso de forma literal nos meus 59 anos, quando decidi comemorar com um festão (muito mais legal do que festejar os óbvios sessenta!), cujo tema era exatamente esse: “vida, a preciosa confusão”. A proposta era simples. Celebrar a arte de viver como a capacidade de manejar, melhor ou pior, o caos inevitável da existência. Flexibilidade diante dos desafios, valorizar o que se aprende nos momentos difíceis, fazer do limão uma limonada, transformar encrenca em oportunidade.”

“O retorno de Donald Trump ao poder não é apenas um evento político. É um sintoma visível de um processo mais profundo – o avanço da “enTRUMPia”, uma onda de caos que parece sem fim. Polarização radical, guerras em expansão, risco nuclear, colapso climático.

O mundo se reorganiza em torno de fissuras, não de pontes. Se a entropia é a tendência natural de qualquer sistema fechado ao colapso, Trump atua como um catalisador. Um agente de aceleração da desordem, desestabilizando instituições, corroendo o tecido da confiança social, normalizando o absurdo.”

The Web Summit, the Venice Biennale, Montezuma, and the Singularity

Tudo começou com um sachê de ketchup. O ano era 1986. Eu tinha mudado para o curso de design da PUC/ Rio depois de ter entendido que o sonho de ser engenheiro naval e desenhar veleiros não era para mim (levei três semanas para amarelar para o Leithold, livro de cálculo de 600 páginas escrito em uma língua alienígena). Estava no segundo período de desenho industrial e tinha que escolher um tema para o meu próximo projeto.

Naquela tarde, na cantina do IAG comendo um pedaço de pizza, me vi travando uma batalha com um sachê de catchup (sim, cariocas cometem essa heresia de colocar ketchup na pizza!), e claro que ele venceu!Todo lambuzado de vermelho, me lembrei que tinha tido, poucos dias antes, outra experiência traumática tentando abrir um lacre de alumínio de um vidro de xarope. Pronto, meu tema estava escolhido. Iria fazer um projeto sobre embalagens mais inteligentes.

Qual o poder da origem quando falarmos de originalidade? Como ideias originais podem nascer? Fred Gelli (CEO da Tátil) convida Clayton Caetano (Head de Branding e Design do Itaú) para um papo sobre a força da origem na construção da marca mais valiosa do Brasil.Uma conversa que permeia o design, o branding e as trajetórias pessoais de Fred e Clayton.

No dia 7 de setembro de 2016, às oito da noite, a contagem regressiva começava: 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, 0. Nesse exato momento, o atleta americano Aaron Wheelz dropa uma mega rampa de skate de 30 metros, construída sob a supervisão de Bob Burnquist, e salta por dentro de um zero cenográfico, dando um mortal perfeito, pousando do outro lado para o delírio e a surpresa da plateia de 60 mil pessoas que lotavam o Maracanã naquela noite histórica.

O primeiro recado estava dado: não tenham pena desses caras! Eles são atletas incríveis que brigam por cada décimo de segundo em uma competição, que farão quase o impossível pela oportunidade de subirem em um pódio representando seus países de origem. E assim começava a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Resultado do trabalho de um super time de mais de 500 pessoas, com alguns dos melhores profissionais do mundo que não mediram esforços para fazê-la inesquecível.

“O fato é que essas ideias, quando são realmente originais, viram marcos, impactando para sempre nosso jeito de entender o passado, viver o presente e, o mais importante, imaginar o futuro. Pois a partir delas novas possibilidades se abrem.”