Oct 22, 2026
Na Mídia

Design como cultura: a Tátil no Festival do Clube de Criação

O design conquistou um novo espaço na 14ª edição do Festival do Clube de Criação. Antes presente em subcategorias, passou a ter uma categoria própria no Anuário, com um júri dedicado à disciplina. Um movimento que reconhece a importância do design na construção de marcas, na comunicação e nos negócios.

Para a Tátil, que entende o design como uma forma de pensar e transformar realidades, esse reconhecimento tem um significado especial. Participamos de três momentos de discussão sobre o papel do design, suas relações com a criatividade e os caminhos que se abrem para o futuro.

Nossa primeira participação foi no painel “Design na publicidade: departamento ou cultura?”, com Ricardo Bezerra, nosso CCO, Diego Limberti (Droga5) e Fabiana Falcão (OpenAI), em uma conversa mediada por Murilo Melo.

Ricardo defendeu uma visão que está na essência da nossa forma de fazer: o design não deve estar restrito a um departamento ou a uma etapa do processo, sua potência está em fazer parte da cultura das organizações, conectando diferentes competências e estimulando processos mais colaborativos, empáticos e experimentais.

Essa perspectiva também reforça a relação indissociável entre design, marca e negócio. Como sintetizou Ricardo: “Não existe negócio sem marca e não existe marca sem design”.

A experimentação também esteve presente na conversa. Em sintonia com o tema do festival, Desconfie, Ricardo destacou o valor da dúvida no processo criativo, trazendo a ideia de que experimentar pressupõe reconhecer o que ainda não sabemos e estar aberto a descobrir novas possibilidades.

No Clube Lab, a convite da Monotype, Beto Biscesto, sócio e diretor de criação da Tátil, trouxe outra reflexão: como preservar a singularidade criativa em um contexto de crescente automação?

A conversa explorou a relação entre inteligência artificial e tipografia, considerando tanto as possibilidades abertas pela tecnologia quanto o risco de uniformização das soluções criativas. Beto trouxe que o desafio está em construir uma relação mais humana com essas ferramentas, preservando o papel de quem cria na condução do processo e o uso da tecnologia como amplificação das possibilidades. A sensibilidade, a intenção e a capacidade de experimentação que dão direção ao trabalho criativo.

Encerrando nossa participação, Fred Gelli, cofundador e CEO da Tátil, presidiu o primeiro júri da categoria Design e apresentou os quatro trabalhos premiados com ouro. Entre eles, o Anuário Kennedy's 2025, ligado ao Kennedys, programa da Wieden+Kennedy voltado à formação de jovens criativos da periferia. A celebração também se conecta à trajetória de Fred, que, em 2008, integrou o júri do primeiro ano de Design no Cannes Lions. Quase duas décadas depois, participou de mais um marco para o reconhecimento da disciplina, desta vez no Clube de Criação.

Mais do que celebrar uma nova categoria, o Festival e as trocas ampliaram uma conversa que consideramos fundamental: o design não se limitar à expressão visual e se apresenta como uma disciplina capaz de conectar diferentes perspectivas, orientar decisões e transformar a maneira como marcas e organizações se relacionam com o mundo. É com essa visão que seguimos contribuindo para o fortalecimento do design brasileiro e para as discussões que impulsionam sua evolução.

O festival aconteceu nos dias 17 e 18 de outubro, no Memorial da América Latina, em São Paulo, reunindo mais de 6 mil pessoas.

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